sábado, 8 de maio de 2010

A estética por trás do Cozinha, Política e Videoteipe

Explicar o que se mostra parece redundante, mas é preciso fazê-lo. Fico pensando em como se processa o interesse em entender o que nos propusemos a fazer. Há os que tentam nos comparar com o programa do Larica, com o do Ronnie Von e, daqui a pouco, até com o de Ana Maria Braga. Nada contra esses significativos e emblemáticos apresentadores, mas é bom dizer que nossa proposta é explícita e contundente por si só.
A opção por um cenário que reivindica o nacional popular não é um deboche, ao contrário, é o reconhecimento de uma estética persistente e que contempla uma simbologia extraordinária. Em cada signo há uma história multiplicada, em contraponto a uma estética asséptica e impoluta que neutraliza qualquer efeito conotativo.
Um cenário na contramão, corajoso e pertinente. Um cenário que dá unidade representativa a uma história não contada. O cenário está como um elemento de verdade, que dialoga com o refinamento da alta culinária brasileira e internacional comandada por ninguém menos que João Leme, um chefe que indaga os paladares mais refinados, procurados nas papilas gustativas de uma língua através da qual nos reconhecemos e falamos... entre o português e o estrangeiro. Misturas e misturas para externar perguntas, para visitar a história, a literatura, a TV, a publicidade, as novas tecnologias e a POLÍTICA, lida com maiúscula, aquela que toma decisões e que raramente contempla os cidadãos comuns.
Um repertório que vai do afeto à disposição, amigos de longa data -mais de 20 anos, diga-se de passagem-. Todos com uma legitimidade para ser reconhecida numa conversa. Este cenário nada tem de falso e os interlocutores, também não. A mentira não preserva a amizade por tanto tempo. Neste programa, doamos o afeto, o paladar apurado e as boas conversas, que às vezes podem soar como tensas e contraditórias, mas que revelam a vida que assim representam.
Quem se sentar à mesa deve sentir-se privilegiado. Não é todo dia que é aberto algo tão generoso, que nos leva a sentir o pulsar da vida em todas as suas dimensões. A mesa está posta, que venham os convidados. Que apareçam os tantos amigos escondidos pela vida, a vida malfadada, que os estreitou e assim os fez anônimos.
Manolo Huerta

2 comentários:

Lorena Rosa disse...

oi, amigo! eu não me escondo...rs
primeiro: onde assistiremos este programa?
segundo: cadê as mulheres?? que absurdo! este papo vai ficar monótono...
acredito que é necessário uma variedade de pessoas para que uma reunião seja interessante. evidente que uma comidinha boa ajuda muito, abre corações...rs
vejo que o cenário primando pelo simples, fará com que as pessoas fiquem a vontade.mas está simples demais! este cozinheiro não utilizará utensílios modernos? e se utilisar, não será um disparate em relação ao cenário?
a conversa com políticos é animadora. imaginando que uma pessoa à mesa fica mais aberta e receptiva, vocês correm o risco de conseguirem boas frases e até furos jornalísticos.
te desejo sucesso, quero assistir.
visitem o meu blog: estacaogourmet.blogspot
até
lorena

julijoy disse...

Ola! Manolo, adorei o cenario, é do simples que o verdadeiro nasce.
Parabéns pela idéia e sucesso no investimento; vou estar sempre por aqui para ver de perto o andamento das conversas... beijos e boas vibrações