segunda-feira, 7 de março de 2011

PIB, Juro e Inflação: uma correção necessária antes que a mentira do 7º país mais rico pegue

por Rafael Sorano, quinta, 3 de março de 2011 às 18:35

Nunca se pagou tanto juro como em 2010. No ano, o gasto com encargos financeiros que incidem sobre a dívida pública somaram R$ 195,4 bilhões. Para comparar, os gastos somados em 2010 com saúde e educação, áreas fundamentais para um país que se pretende rico, foram de R$ 120,2 bilhões (61% do que foi pago em juro). A despesa total com todo o funcionalismo civil e militar foi de R$ 169,4 bilhões (86% do que foi pago em juro).

A elevação da taxa de juro é apresentada ao público (nós, o povo) como instrumento necessário ao controle inflacionário. A inflação em 2010 fechou em 5,9%, a maior em 6 anos, apesar da mais alta taxa de juro do planeta, sinal de que a política do Banco Central autônomo está equivocada também nisso. Há dois dias, o BC aumentou novamente a taxa de juro em 0,5%, elevando a Selic para 11,75% ao ano. Cada ponto a mais na Selic são R$ 15 bilhões de reais subtraídos do orçamento federal que se acrescentam à dívida pública na forma de juros. O total de dois pontos percentuais a mais que o “mercado nervosinho” exige para 2011 (já ganhou 0,5%) representará uma transferência de mais R$ 30 bilhões para os bancos credores.

Hoje, Mantega anunciou que o PIB brasileiro no ano passado subiu 7,5%, o que colocaria nossa economia como a 7º maior do mundo. Mas o mesmo Mantega omite que pagamos mais de 5,3% do total do PIB de 2010 em juros. Mantega deveria apresentar a seguinte equação: +7,5% PIB + (-5,3% Juros) + (-5,91 Inflação) = (-3,7% Decréscimo Econômico).

PIB alto não resulta necessariamente em crescimento econômico. Para medir se a economia efetivamente cresceu, faz-se necessário chegar, pelo menos, ao resultado da equação PIB-Juro-Inflação. Não adianta o PIB ter crescido em relação ao ano anterior e as riquezas produzidas no país terem sido comidas pelas pernas com pagamento de juro e pela inflação. Se o que ficou de fato na economia brasileira de todo o crescimento do PIB em 2010 fosse considerado para ranquear o Brasil frente aos outros países, estaríamos posicionados mais ou menos no 13º lugar.

Ah, em tempo: não é à toa que em 2010 o Brasil ficou no 88º lugar de 127 no ranking de educação feito pela Unesco, o braço da ONU para a cultura e educação. Com isso, o país está entre os de nível "médio" de desenvolvimento na área, atrás de Argentina, Chile e até mesmo Equador e Bolívia. E ainda temos 14 milhões de adultos analfabetos e 600 mil crianças fora da escola. Podemos continuar a tirar dinheiro da educação para pagar juro e festejar a farsa da 7º economia mais rica, caso esse seja o projeto de nação que queremos.

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